Domingo, Setembro 18, 2011

Bebês

Ando sem tempo para escrever no blogue, coisas da tese e da vida (nessa ordem). Todavia, existem coisas que não se pode deixar passar, entre elas estão esses dois vídeos do YouTube: o bebê leitor e o bebê maestro. Como pode? Divirta-se você também.

Ah! Não esqueça de aumentar o som!

Bebê lendo


Bebê regendo



O Jonathan, o bebê maestro, agora um pouco mais crescidinho, continua regendo por aí, mas de verdade. O canal "Jonathan, the Young Musician" pode ser assistido em: http://www.youtube.com/user/esenuk.

Segunda-feira, Novembro 08, 2010

A disseminação da leitura e o preço do livro

O preço exorbitante do livro no Brasil é um caso de ovo ou galinha:

os livros são caros por falta de leitores ou existem poucos leitores pelo alto custo dos livros?

Faz alguns anos, modesta e progressivamente, o mercado editorial brasileiro tem começado a publicar edições de livros econômicas, os chamados livros de bolso. Essas edições cabem no bolso no sentido literal, são suficientemente pequenos para serem carregados num casaco, e, no sentido figurado, por serem baratos e, assim, caberem no orçamento do cidadão.

Todavia, os títutlos publicados para caberem no bolso são muito limitados. Temos os clássicos, cujo direito autoral é de domínio público, e algumas obras há tempos publicadas. Esses últimos são títulos que, invariavelmente, figuraram no topo da lista de vendas num passado distante, mas que já saíram das rodas de discussão daqueles que definem sua agenda de leitura pelos lançamentos editoriais mais vendidos. Para estes leitores, não tem jeito: ou investem pesadamente no livro no momento de seu lançamento, pagando em torno de 60 reais uma única obra, ou retiram o título por empréstimo do acervo da biblioteca mais próxima.

Entre os possíveis problemas, destacamos as seguintes perguntas:

- O leitor habitual encontra alguma biblioteca nas proximidades?
- As bibliotecas dispõem de orçamentos compatíveis com o custo dos livros e o tamanho da demanda por lançamentos editoriais?

Infelizmente, sabemos que a resposta mais frequente às duas questões é NÃO. Portanto, temos uma dificuldade de acesso aos livros recém lançados.

Nosso poder público tem investido na criação de boas bibliotecas comunitárias?

Nosso mercado livreiro contribui para a promoção da leitura?

Em suma, lançamento é coisa fina. Essa é a verdade!

Segunda-feira, Novembro 01, 2010

Orgulho de ser mulher

Uma postagem rápida apenas para dizer do orgulho que sinto com a vitória de Dilma Rousseff, a primeira mulher presidente do Brasil.

Política sempre é um assunto complicado, mas não resisti. Admiro profundamente a personalidade e a carreira de Dilma. Espero, no final do mandato, poder reafirmar meu orgulho e satisfação por suas realizações como presidente!

Bons ventos para nós brasileiros!

Sábado, Outubro 30, 2010

Por uma democracia sem distrações ou Quando papel vira tijolo

Desde o início das eleições, recebo, como grande parte dos internautas, uma chuva de mensagens absurdas sobre a candidata à presidência da República Dilma Rousseff. Não vou fingir isenção, sou pró governo Lula. Tenho fortes convicções que me levam a isso, mas não vou entrar em detalhes. Escrevo esta postagem não para fazer campanha, mas para propor uma questão para debate:

- O que tanto boato e difamação têm a ver com a capacidade da candidata para realizar um bom gonverno?

A princípio, pensei:

- "Nossa, esse pessoal do Serra está desesperado. Imagina que alguém embarcará nessas distrações, tendo sua realidade como principal fonte de informação para o voto???"

Pois é, mas as distrações ganham eco. Isso me faz pensar que, efetivamente, estamos longe de viver numa plena democracia. Sentirei, pessoalmente, que a plena democracia se dará quando a capacidade de realização pública deixar de ser uma coadjuvante nos debates eleitorais.

Hoje, uma chuva de ataques irrelevantes tira o escasso espaço da apresentação dos planos de governo. Espaço necessário para a realização de uma opção política cidadã. Não gosto de distrações, independentemente do candidato que dela torna-se objeto. A Revista Isto É desta semana é um ótimo exemplo de discussão que precisa ser realizada (partes 1 e 2).

Temos dados, que cada candidato apresente seu contexto histórico. Temos história, que cada candidato apresente sua perspectiva de futuro.

Termino mais um desabafo. Me uno de forma singela ao Movimento dos Sambistas, Chorões e Foliões do Rio, reproduzindo o Partido Alto da Bolinha de Papel, um protesto brilhante contra as distrações políticas.

Sábado, Outubro 16, 2010

A sociedade literária e a torta de casca de batatas

"A sociedade literária e a torta de casca de batatas" é um livro de título estranho, mas que conta uma história indescritivelmente apaixonante.

O livro tem trechos muito tristes quando trata da ocupação alemã nas Ilhas Canal durante a Segunda Gerra.  Eu, muito ignorante, nem sabia que alguma parte do território inglês havia sido ocupada pelos alemães, mas foi. Essa parte não é fácil de ler, como qualquer texto que trate sobre os abusos nazistas. Todavia, até para quem for buscar o livro só por alguns momentos de prazer, encontrará uma história muito leve, divertida e bem escrita.

Uma das autoras, Mary Ann Shaffer, foi bibliotecária. Na parte inicial do livro dá pra ver algumas marcas do ofício.

Na página 19 está escrito:

"Talvez haja algum instinto secreto nos livros que os leve a seus leitores perfeitos. Se isso fosse verdade, seria encantador."

Como professora da disciplina de desenvolvimento de coleções, sei que esse instinto secreto não existe, mas o acervo bem colecionado pode sugerir ao leitor que ele seja verdadeiro.

"[Frequento a livraria há anos] e sempre encontro o livro que queria - e mais três que eu não sabia que queria."
Qual é o bibliotecário que não gostaria de escutar essa frase de seus usuários?

Por outro lado, a formação do acervo é importante, mas não prescinde do trabalho de formação de leitores. Os bibliotecários não podem esquecer de seu papel na disseminação do hábito de ler. O investimento no trabalho árduo para que existam cada vez mais pessoas que digam:

"É isso que amo na leitura: uma pequena coisa o interessa num livro, e essa pequena coisa o leva a outro livro, e um pedacinho que você lê o leva a um terceiro. Isso vai em progressão geométrica - sem nenhuma finalidade em vista, e unicamente por prazer." (p. 20)

Isso sim é encantador!


Referência

SHAFFER, M. A.; BARROWS, A. A sociedade literária e a torta de casca de batata. Rio de Janeiro: Rocco, 2009.

Terça-feira, Agosto 24, 2010

Um mapa para visualizar o processo de desenvolvimento de coleções

Ao clicar no mapa, a imagem será ampliada e disponibilizará links para os slides elaborados para a disciplina "Pesquisa e Desenvolvimento de Coleções" do curso de Biblioteconomia da UFRGS.


Quinta-feira, Agosto 12, 2010

Quadrinhos lógicos e, as vezes, filosóficos

Escrito por Christos Papadimitriou e Apostolos Doxiadi, Logicomix é uma história em quadrinhos maravilhosa sobre o desenvolvimento da lógica como disciplina. Eu já havia lido (e adorado) Tio Petros e a Conjectura de Goldbach de Doxiadi. Agora, fui conferir os quadrinhos e não me decepcionei. O personagem principal é Bertrand Russel, que narra suas peripécias na busca pela verdade através de suas incursões na lógica, matemática e filosofia. Sobre a filosofia há um trecho especial, que reproduzo abaixo. É uma das poucas passagens divertidas do texto, é especialmente imperdível! Espero que gostem!




***
Referência:
DOXIADIS, A.; PAPADIMITRIOU, C.H. Logicomix.São Paulo: Martins Fontes, 2010.

Quarta-feira, Julho 28, 2010

A pesquisa científica como um quebra-cabeça

Não sei ao certo, mas imagino que a metáfora já tenha sido utilizada anteiormente. De qualquer forma, vamos lá: quanto mais trabalho com pesquisa, mais a vejo como um quebra-cabeça. A metáfora sugere a dificuldade, é complicado montar quebra-cabeças, principalmente o de 20 mil peças do urso polar na neve. Difícil? Acho a pesquisa ainda pior. Com as 20 mil peças, o fabricante me garante que terei um urso polar na neve, mas, e com a pesquisa? Bom, eu decido os dados (peças) que coletarei, o recorte da literatura que utilizarei, o método que aplicarei e, ao final, sendo bem sucedida, terei uma imagem sobre a pergunta que desencadeou todo o processo de investigação. Problemas:

- As peças que reuni podem não se relacionar com o problema de pesquisa;
- A literatura que utilizo pode não se coadunar com o método que escolhi;
- A teoria e o método que escolhi não me ajudam a montar as peças que coletei.

Tenho trabalhado na tese e vivido algumas angustias. Assim, faço o comunicado:
Procuro um urso polar!

Domingo, Julho 25, 2010

Documentação de Julia Child

Neste fim de semana, assisti, tardiamente, o maravilhoso filme "Julie & Julia". Antes do lançamento do filme no Brasil, compramos (Carlos e eu) o livro de memórias de Julia Child, "Minha vida na França", e, como de hábito nestes 2 ultimos anos de curso de doutorado, o livro ficou na estante, à espera de dias melhores para ser lido. Todavia, o encantamento que sucedeu o término do filme levou a uma corrida à estante, onde o livro há muito descansava. Nas primeiras páginas percebi que o texto consegue prolongar os momentos maravilhosos que a história e a personalidade de Julia Child podem propiciar. Um outro elemento chama a atenção, não sei se somente, mas certamente para uma  bibliotecária de plantão: Julia e Paul, seu marido, eram grandes produtores de documentação pessoal. O filme já enlouquece  museológos com a exposição que o Museu de Arte Americana do Instituto Smithsonian organizou sobre Julia, incluindo sua cozinha completa.




O livro, por sua vez, tranquiliza arquivistas e bibliotecários, quando Julia agradece em sua Introdução o tratamento dado aos seus documentos pela Biblioteca Schlesinger (especializada em história da mulher dos Estados Unidos) do Instituto Radcliffe, Universidade de Harvard. Sim: a documentação está salva e preservada! Os cartões postais do dia de São Valentim (nosso dia dos namorados), as correspondências, os manuscritos super secretos do livro de receitas... tudo que vemos no filme e no livro está lá!



Neste ponto vemos como estamos atrasados. No Brasil, temos muito o que aprender com a preservação de documentos históricos. Os links feitos nesta postagem são uma aula de preservação, um sonho para o profissional de ciência da informação!

Referência
CHILD, Julia; PROD'HOMME, Alex. Minha vida na França. São Paulo: Seoman, 2009.

Sexta-feira, Junho 18, 2010

Saramago 2

Conhecer uma pessoa é muito, todas é demais. Por isso Saramago é genial. Com Todos Os Nomes, aos personagens, com frequência, ele não lhes atribuía nenhum. Afinal, para que denominar se as personalidades em muito se repetem. Alguns traços mais replicados que outros, mas, igualmente, Homens Duplicados. Por que denominar? Sua aridez, seu Ensaio Sobre A Cegueira, ou até mesmo Sobre A Lucidez, apontam para algo que preferimos não reconhecer. Na escuridão, nA Caverna, seja do sentido, seja do poder, o homem é o que é. A luz nos faz omitir o que o somos, animais de uma espécie, que faz do pensamento, da força, instrumento de dominação. Animais de espécie inferior. Pessimismo? Sim. O pessimismo saudável de quem reconhece o breu para buscar uma senda de luminosidade. Quiz eu, hoje, que A Morte tivesse se Intermitido. Sentirei saudades do infinitivo sem gerúndio, do texto sem parágrafo, da oração sem ponto, da luz na escuridão.

Saramago

Primeiro foi José Mindlin. Agora, Saramago. Apesar de acreditar na imortalidade da alma, minha fé egoista  sente, profundamente, com antecipação, o vazio deixado pelo mundo que Saramago ainda poderia criar, mas não teve tempo de fazê-lo. Este é um adeus a um ateu sensível, que conhecia a natureza humana como um espírito iluminado pelo Deus, que ele tanto negava.

Quarta-feira, Maio 26, 2010

Um esquema, talvez simplório, mas uma forma de pensar o papel do bibliotecário e a gestão

O esquema que proponho abaixo é fruto de uma reflexão que tenho feito sobre o papel social do bibliotecário e as funções a ele inerentes. Ao ministrar disciplinas da área de gestão do currículo dos cursos de biblioteconomia e museologia, passei a pensar mais seriamente sobre as consequências do que tenho ouvido há alguns anos sobre o bibliotecário ser um gestor. Isso pode dizer tudo ou nada, dependendo da interpretação.

Diz nada quando percebemos: todo indivíduo é um gestor. Fazemos planejamento (preciso sair da cama para fazer minha tese), organização (lavo louça, arrumo a cama. etc, em uma ordem logicamente encadeada), liderança (negocio com uma amiga a localização de nosso encontro para almoço) e controle (no final do dia, percebo que fiz tudo, menos trabalhar na tese). Neste momento, tenho inclusive uma medida de desempenho que, no caso específico, foi péssimo, considerando que não trabalhei na tese. Tudo isso para dizer: se gestão é tudo, dizer que o bibliotecário é gestor é nada.

Agora, por outro lado, pode ser tudo: se eu digo que o bibliotecário é um profissional especializado em gestão, eu o formo para gerir qualquer coisa, nos mesmos termos que o administrador, que faz sua formação sem saber onde aplicará os processos aprendidos. Ou seja, gestor é tudo! O que faz um bibliotecário? Administra.

Concordo. O bibliotecário administra, mas ele administra com a necessidade de realizar funções de formação, desenvolvimento, organização e dinamização de coleções e informações. Ele não administra por administrar. Cumprindo estas funções, o bibliotecário oferece produtos e serviços que visam satisfazer e promover as necessidades de informação dos indivíduos em contextos específicos.

Isso faz toda a diferença. Ao falar de gestão, preciso inserir o planjemento, a organização, e o controle quando trato de toda e qualquer atividade realizada: na representação descritiva, temática, no serviço de referência etc. O conhecimento necessário para o oferecimento de produtos e serviços é, na realidade, técnico, mas também gerencial, pois, para cumprir minha missão, devo escolher a melhor entre várias soluções técnicas, que me levam ao cumprimento de uma função.

As reflexões acima e o esquema abaixo congregam aspectos mencionados em outros textos**, de modo a tentar inserir a gestão no âmbito das funções sociais do bibliotecário.



**
Textos de referência:
LANCASTER, F.W. Avaliação de serviços de bibliotecas. Brasília: Briquet de Lemos, 1996.

MACIEL, A.C.; MENDONÇA, M.A.R. Bibliotecas como organizações. Rio de Janeiro: Interciência, 2000.

MUELLER, S.P.M. Perfil do bibliotecário, serviços e responsabilidades na área de informação e formação profissional. Revista de Biblioteconomia de Brasília, v. 17, n. 1, 1989.

Google acadêmico quase lá

Acabo de entrar no Google Acadêmico para fazer uma pesquisa. Sempre faço isso: preciso escrever sobre algo, busco numa base de dados especializada. Mesmo com sua carinha de motor de busca, gosto muito do Google Acadêmico. Entretanto, ele tinha um defeito grave: apesar de reduzir o universo de busca a artigos "acadêmicos", tinha recursos pouco aplicados às necessidades dos usuários que precisam desse tipo de informação. Sim, sempre teve a busca por citações, instrumento importante para encontrar artigos tematicamente comuns de acordo com as referências que citam. Mas, era isso. Agora, dois recursos novos surgem: a criação de alertas para a atualização dos usuários em relação ao que há de novo, e que corresponde a uma dada expressão de busca; e, uma possibilidade de delimitação de data.
Bom, o Google Acadêmico está quase lá, falta implementar algumas alterativas específicas de ordenamento e refinamento de registros, e... seria pedir muito um alerta de citação? É, acho que sim... Afinal, é de graça, né?




Apresentação sobre tema relacionado

Domingo, Maio 09, 2010

Capela Sistina

Esta postagem existe apenas para divulgar o link para a visita virtual à Capela Sistina. Sem dúvida, a página mais emocionante que já vi na Internet.
Aguarde um pouquinho assim que entrar no link, acho que a experiência valerá os segundos esperados.

Terça-feira, Setembro 22, 2009

As caixas e o novelo de lã

Não resisti!

Quando me enviaram por e-mail um vídeo de humor sobre a diferença entre os cérebros feminino e masculino, resolvi escrever essa postagem.

A explicação sobre o fenômeno nada tem a ver com a realidade da anatomia humana propriamente dita, mas se encaixa tão bem no que vemos na convivência diária entre homens e mulheres que parece ser real.

Mais ou menos como ocorreu na época anterior a Copérnico, quando achávamos, por falta dos instrumentos devidos, que o Sol girava em torno da Terra. Sem conhecer os neurônios, distraidamente, podemos acreditar que inúmeras caixas isoladas constituem a cabeça dos homens e que um novelo de lã todo emaranhado compõe a cabeça das mulheres.

Espero que se divirtam assim como eu!

Sábado, Janeiro 31, 2009

Felicidade

Quando estamos fazendo uma pesquisa as questões metodológicas tornam-se uma obsessão até mesmo em nossas leituras cotidianas. Eu, pelo menos, ando assim (há muitos anos). Até para ler um romance tenho um lápis na mão.

Neste meu espaço de leituras para o lazer estive lendo um livro, maravilhoso, do Eduardo Giannetti*, chamado Felicidade. Numa das partes do seu ensaio filosófico, Giannetti trata de dois aspectos importantes relativos ao método científico: a confiabilidade das respostas dos pesquisados e as restrições das possibilidades de medida em pesquisas sociais.

Falando especificamente de questionários e enquetes de opinião, o autor revela, pelo debate de seus quatro personagens, a polêmica inerente ao uso deste tipo de instrumento de pesquisa (p. 70-73). Melo, um dos protagonistas do ensaio, adverte: "Pergunte-se a si próprio se você é feliz, e você deixa de sê-lo. Ou como diria o nosso Fernando Pessoa, 'por que é que, para ser feliz, é preciso não sabê-lo?' ". Mais adiante Melo ainda complementa: "Mas você não acha que o simples fato de se perguntar a alguém se está feliz ou satisfeito com sua vida já não acaba alterando e interferindo na resposta?"

Otto, o outro interlocutor do debate inventado por Giannetti, pondera: "As respostas são confiáveis? O que as pessoas dizem sobre o que sentem acerca de suas vidas corresponde a um fenômeno real, a alguma coisa sobre a qual podemos fazer inferências válidas sobre o mundo? Com toda a franqueza, não sei. E também ficaria muito desconfiado se alguém alegasse saber. O problema maoir, creio, não é uma improvável falta de sinceridade nas respostas. Não há razões para mentir em pesquisas de opinião nas quais não se identifica pelo nome o entrevistado. As reais dificuldades são de ordem cognitiva e de comunicação. (...) Há um trabalho magnífico** que demonstra como até mesmo a sequência específica das perguntas feitas num questionário pode alterar o teor das respostas.(...) A questão da confiabilidade, concordo, é um vespeiro. Mas nem tudo está perdido. Parte dos problemas a lei dos grande números resolve. (...) O mais importante, entretando, é que as evidências de bem-estar subjetivo baseada em respostas individuais sobreviveram a numerosos testes de validação. As pessoas que se declaram "muito felizes" nas pesquisas possuem atributos observáveis que podem ser tomados como indicativos de felicidade: elas tendem a ser classificadas como felizes por seus parentes e amigos; sorriem com maior frequência; têm maior propensão a renovar contatos sociais com amigos; faltam menos ao trabalho; apresentam menor incidência de sintomas físicos associados a estresse e têm menor probabilidade de morte prematura ou de cometer suicídio. Tudo isso está longe de ser uma prova conclusiva de que as respostas obtidas refletem o verdadeiro grau de felicidade das pessoas, mas creio que é uma boa primeira aproximação da questão. O fato de a felicidade ser uma experiência subjetiva não significa que nós não devamos buscar a máxima objetividade possível na tentativa de compreendê-la."

Alex rebate: "Mas você há de convir que, por mais que se avance no caminho da objetividade, exitem obstáculos intrasponíveis no percurso... Até onde se pode chegar por essa via?"

O debate, aqui reproduzido apenas em alguns trechos, não chega a qualquer conclusão, como era de se esperar. Mas achei interessante destacá-lo, constitui nosso eterno dilema, a confiabilidade de uma pesquisa é ameaçada quando o método é irremediavelmente impregnado pela subjetividade do pesquisador e do pesquisado?

Quando eu encontrar a minha-subjetiva-resposta, prometo contar!


Referência:


* Giannetti, Eduardo. Felicidade : diálogos sobre o bem-estar na civilização. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

** Schwarz, N.; Strack, F. Reports of subjective well-being: judgmental processes and their methodological implications. In: Kahneman, D. et al. (Ed.). Well-being. Nova York, 1999

Domingo, Janeiro 25, 2009

Dicas para realização de uma pesquisa

Esta é a primeira postagem de uma possível série intitulada "Dicas para realização de uma pesquisa...". Desde já esclareço que não estou em condições de fornecer qualquer dica, a postagem reflete apenas meu empenho (e talvez desespero) em buscá-la. Atualmente, me encontro perante uma prateleira cheia de livros "semi-lidos" (como se isso fizesse algum sentido) e de suas respectivas "semi-fichas" (idem). Ou seja, vivo num caos físico e mental!

Estou lendo um livro sobre metodologia da pesquisa escrito por Bruno Deshaies* que achei interessante exatamente por trazer uma lista de procedimentos saudáveis a serem seguidos para evitar o que estou passando (p. 36). São eles:

1º Zelar por estabelecer à partida uma boa classificação de suas notas
2º Procurar conservar apenas o essencial e recorrer ao acessório à medidas das necessidades
3º Reflectir sobre o objecto de "sua" pesquisa
4º Determinar os meios convenientes para efectuar sua pesquisa
5º Concentrar-se no objetivo ou na finalidade do trabalho a levar a cabo para não o perder de vista
6º Ter em conta o seu leitor
7º Aprender a sentir satisfação no trabalho e por meio dele

Como em todo o manual, o texto foi escrito sob uma aura de "receita de bolo" fácil de replicar. Contudo, cá para nós, sabemos que neste nosso negócio as coisas não funcionam bem assim. Não sei se quando alguém começa sua pesquisa com os procedimentos acima em mente tem um início mais feliz do que o meu... o certo é que, depois dos percalços, estou recitando os enumerados de Deshaies como um mantra e, com disciplina, tentarei seguí-los para transformar os semi em leituras e fichas (Ah, disciplina: o desafio dos ansiosos!).

Afora o desabafo, gostaria apenas de destacar uma outra citação do próprio Deshaies (p. 25) que associo ao último e imprescindível item da lista, "aprender a sentir satisfação no trabalho e por meio dele". Me parece que a requerida satisfação relaciona-se com a escolha de um tema que nos seja caro, considerando que: "Quando nos colocamos na posição de investigar, começamos por dispor das nossas próprias inclinações intelectuais, cognitivas, afectivas e outras. Por outras palavras, a investigação exige uma participação íntima e pessoal no processo de conhecimento. Faz apelo a um investimento indispensável da própria pessoa."

Era isso: dicas de pesquisa e devaneios


Referência:


* Deshaies, Bruno. Baptista, Luisa. Metodologia da investigacao em ciencias humanas. Lisboa: Instituto Piaget, c1992. 456 p. : il. (Epistemologia e sociedade ; 65)

Quarta-feira, Outubro 08, 2008

O que é a Meia-vida das citações

O termo "meia-vida das citações" teve origem no conceito físico de meia-vida dos materiais radioativos. Sua transposição para a área de ciência da informação foi feita pela primeira vez por Burton e Kleber em 1960, expressando o período em que uma pesquisa alcança a metade de sua vida útil.

Em 1970, Brookes idealizou um método de medida da meia-vida dos periódicos científicos (Tabela 1), que foi logo em seguida adotado sem qualquer ajuste pelo ISI da seguinte forma: "a MV é o tempo (em anos) para que 50% das citações recebidas por um periódico apareçam na literatura” (JCR, 1998).

Tabela 1 - Exemplo de Cálculo da Meia-Vida das Citações


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O "Physical Review Letters" foi citado 268.454 vezes em 2006. Metade deste número de citações corresponde a 134.227. Assim, precisa-se saber o tempo transcorrido para que sejam alcançadas estas 134.227 citações, repassando os anos em sentido decrescente. Somando-se o número de citações para os artigos publicados de 2006 a 2000 tem-se 137.780 citações (51,32%), ou seja, 7 anos. Contudo, precisa-se calcular o tempo para que os exatos 50% das citações atingidas. Assim, se no período de 2006 a 2001 (6 anos) tem-se 119.550 citações, precisa-se de mais 14.677 citações para que seja completadas as 134.227. Como estas 14.677 citações correspondem a 80,51% das 18.230 citações recebidas em 2006 para os artigos publicados em 2000, tem-se que a meia-vida do "Physical Review Letters" é 6,8 anos.
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A da meia-vida das citações apresenta uma influência relativa sobre os valores de FI dos periódicos. Esta correlação pode ser compreendida quando comparamos dados de citação de dois periódicos diferentes. A Tabela 2 apresentada a seguir contém os dados de dois periódicos que ocupam cada qual a primeira posição no ranking de FI em suas respectivas sub-áreas, de acordo com a classificação do ISI na edição de 2006 do JCR.

Tabela 2 - Comparação do FI de periódicos de duas diferentes sub-áreas


Observamos na Tabela 2 que, se ao invés de serem consideradas as citações aos artigos publicados nos últimos dois anos (artigos fonte), fossem contabilizadas as citações a todos os artigos (coluna C/coluna G), o periódico da Bioquímica e Biologia Molecular teria um impacto maior do que o da Imunologia, ao contrário do que acontece na comparação do FI propriamente dito (coluna E). Esta mudança de posições se justifica porque o periódico da sub-área Bioquímica e Biologia Molecular demora, aproximadamente, dois anos mais (coluna H) para receber metade das citações do que o título da Imunologia.

Esta valorização de citações recentes para o cálculo do FI tem motivado muitas reclamações dos editores de revistas que se dedicam a áreas que se atualizam mais lentamente e, conseqüentemente, apresentam valores altos de meia-vida das citações (GARFIELD, 1998).

Referências


BROOKES, B. C. The growth, utility, and obsolescence of scientific periodical literature. Journal of Documentation, London, v. 23, n. 4, p. 283-294, Dec. 1970.

BURTON, R. E.; KLEBER, R.W. The "half-life" of some scientific and technical literatures. American Documentation, v. 2, n. 1, p. 18-22, Jan. 1960.

GARFIELD, Eugene. Long-term vs. short-term impact: Does it matter?. The Scientist, v. 12, n. 3, p. 10-12, Feb. 1998.

JOURNAL citation reports. Philadelphia: Institute for Scientific Information, 1998.

Terça-feira, Outubro 07, 2008

Trabalhos e apresentações sobre outros temas


Scopus. Apresentação realizada para a Disciplina "Informação especializada" do Curso de Biblioteconomia da UFRGS em 25 nov. 2008.


A pesquisa bibliográfica como procedimento de investigação. Apresentação realizada no evento "Em dia com a pesquisa" do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da UFRGS em 24 out. 2008.



Avaliação da consistência da indexação realizada em uma biblioteca universitária de artes. Ciência da Informação, Brasília, v. 27, n. 3, p. 329-335, 1998.

A corrida EUA-UE pela liderança em C&T: indicadores qualitativos e quantitativos (Robert D. Sheldon & Geofrey M. Holdridge) - ppt


"A dama de espadas": análise crítica e algumas considerações conceituais - pdf

O bibliotecário e a promoção da leitura no contexto social brasileiro - pdf

Resumo das principais discussões do livro "Imposturas Intelectuais" - html

O que é o Fator de Impacto

O Fator de Impacto publicado anualmente pela Thomson Reuters (antigo Institute for Scientific Information) no Journal Citation Reports tem sido utilizado mundialmente como parâmetro de avaliação da relevância da produção científica há muitos anos. O uso do FI em agências de fomento fez deste indicador um dos objetos de estudo mais pesquisados na literatura da cientometria internacional.


O Fator de Impacto (FI) de determinado periódico é publicado anualmente pela Thomson Reuters (antigo Institute for Scientific Information - ISI) no Journal Citation Reports e pode ser definido como: a razão entre o número de citações feitas no corrente ano a itens publicados neste periódico nos últimos dois anos e o número de artigos (itens fonte) publicados nos mesmos dois anos pelo mesmo periódico (Journal Citation Reports, 1998).

A Tabela a seguir ilustra a forma como o FI é calculado:


Para definir o período a ser considerado para o cálculo do FI, Garfield (1972) fez minuciosa análise da distribuição cronológica dos itens citados pelas publicações. De acordo com os dados que obteve, um artigo típico é mais freqüentemente citado durante os dois anos subseqüentes à sua publicação. Garfield observou que de 21% a 25% das referências correspondem a trabalhos publicados nos três últimos anos, ou são ainda mais recentes.

Todavia, essa proporção de citações a trabalhos recentes depende da área em que os estudos são publicados. Isso se deve ao fato de que as áreas apresentam taxas diferenciadas de obsolescência. Em outras palavras, pode-se dizer que o tempo de pertinência dos conhecimentos produzidos varia de acordo com o ritmo de atualização de cada um dos diversos ramos do saber, apresentando invariavelmente reflexo na idade das referências citadas nas publicações.

Os dados obtidos por Pendlebury e divulgados por Hamilton (1992) sobre a proporção de artigos publicados e não citados nos cinco primeiros após sua publicação pode servir como um recurso para ilustrar as diferenças na idade das publicações referidas nas diversas áreas (Figura).

Figura – Proporção de Artigos Indexados pelo ISI e não Citados nos Primeiros Cincos Anos após sua Publicação, por Área

Fonte: HAMILTON, David. Research papers: who’s uncited now. Science, Washington, v. 251, n. 25, p. 25, Jan. 1991.


Referências:


GARFIELD, Eugene. Citation analysis as a tool in journal evaluation: journals can be ranked by frequency and impact of citations for science policy studies. Science, Washington, v. 178, n. 4060, p. 471-479, Nov. 1972.

HAMILTON, David. Research papers: who’s uncited now. Science, Washington, v. 251, n. 25, p. 25, Jan. 1991.

JOURNAL citation reports. Philadelphia: Institute for Scientific Information, 1998.



Trabalhos de minha autoria sobre FI


Dissertação de Mestrado

Relação entre Algumas Características de Periódicos de Física e seus Fatores de Impacto. Orientação: Profa. Dra. Ida Regina Chittó Stumpf. (Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2003)

Artigos e trabalhos em evento

O Fator de Impacto do ISI e a Avaliação da Produção Científica: aspectos conceituais e metodológicos. Ciência da Informação, Brasília, v. 34, n. 1, p. 19-27, 2005.

The Impact of Brazilian Scientific Articles Published in Domestic and Foreign Journals Indexed in Web of Science. In: 12th International Conference on Scientometrics and Infometrics, 2009, Rio de Janeiro. Proceedings. São Paulo : BIREME/PAHO/WHO, 2009. v. 2. p. 994-995. Com: Ida Regina Chittó Stumpf STUMPF

Indicadores de qualidade da atividade científica. Ciência Hoje, São Paulo, v. 31, n. 186, p. 34-39, 2002. Com: Carlos Alberto dos Santos

Recuperação e impacto da produção científica na era Google: uma análise comparativa entre o Google Acadêmico e a Web of Science. Encontros Bibli, Florianópolis, n. esp. 1, p. 92-105, 2008. Com: Rogério Mugnaini


Principais apresentações


O Fator de Impacto do ISI e a avaliação da produção científica : aspectos conceituais e metodológicos. Apresentação realizada na mesa redonda "Avaliação da qualidade da produção científica: desafios e perspectivas" no Centros de Estudos do Instituto Oswaldo Cruz em 9 jun. 2006.


Considerações conceituais e metodológicas sobre os indicadores de impacto e produtividade das publicações para a avaliação da atividade científica. Apresentação realizada no Núcleo Orientado para a Inovação na Edificação (NORIE) da UFRGS em 28 nov. 2008.


Metrias da ciência da informação. Aula 5 da disciplina Recuperação da Informação do Curso de Especialização em Gestão de Bibliotecas Universitárias da UFRGS em 16 abr. 2009.


Web of Science: a ciência revelada pelas citações. Apresentação realizada para a Disciplina "Informação no processo de comunicação científica" do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da UFRGS em 20 nov. 2007.


Portal Google Scholar e Web of Science. Apresentação realizada para o Fórum Latino-Americano de Editoração Científica em Enfermagem e Saúde em 5 nov. 2009.



Outros links



-- Pesquisadores e instituições

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Ciência da Informação

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Sexta-feira, Outubro 03, 2008

Sociedade de esquina

Recentemente li o apêndice metodológico do clássico estudo de caso realizado por William Foote White, entre 1936 e 1940, intiluado "Sociedade de esquina". Infelizmente, ainda não tive tempo de ler a obra por inteiro, mas o apêndice é simplesmente maravilhoso. Um dos aspectos tratados pelo autor que achei particularmente interessante é o relacionamento do pesquisador com a comunidade quando a coleta de dados é realizada com a técnica de observação participante. Tentarei aqui, presuçosamente, resumir algumas questões levantadas por White sobre este tema:

*****
As pessoas pesquisadas manifestam interesse pelas atividades do pesquisador, querem saber se seu comportamento será estudado ou julgado. O pesquisador deve tentar demonstrar a sinceridade de seu interesse e o empenho na busca para realização do melhor. As explicações devem ser compatíveis com o nível de compreensão e interesse demonstrado pelos pesquisados, sendo suficientemente satisfatórias para estimular a colaboração.

Todavia, especificamente as informações fornecidas às pessoas-chave da comunidade são determinantes para o entendimento e apoio geral. As bases nas quais o relacionamento com o(s) informante(s) se estabelece é fundamental para o desenrolar dos procedimentos de coleta de dados. Um informante adequadamente instruído sobre as necessidades do estudo é capaz de dar contribuições qualificadas e indicar os meios pelos quais informações importantes podem ser obtidas.

Um cuidado adicional deve ser dado ao respeito às convenções sociais que regem uma comunidade. O pesquisador precisa se adaptar aos costumes locais sob pena de chamar ainda mais atenção para si do que o desejável ou de sofrer algum tipo de rejeição. Entretanto, as pessoas estudadas também compreendem que o pesquisador não é exatamente igual a elas e, muitas vezes, a própria diferença desperta o interesse dos pesquisados pelo estudo. Assim, a aculturação total não necessariamente é um requisito a ser perseguido.

A insegurança do pesquisador quanto à sua aceitação no campo e a necessidade de concentração permanente nos períodos de observação e entrevista são a principal fonte de desgaste na fase de coleta de dados. Whyte relata que somente sentiu que havia encontrado seu lugar na comunidade quando passou a ser cumprimentado de forma natural e amigável.

Sobre a proficiência do pesquisador nas técnicas de coleta de dados, Whyte enfatiza a habilidade de observar as pessoas em ação e escrever um relatório detalhado sobre os comportamentos concretos, isento de julgamentos morais.

Por seu turno, quando conduz as entrevistas, o pesquisador não pode incorrer em discussões com os entrevistados ou insinuar oposição aos comportamentos manifestos. Ao contrário, a postura que indica uma aceitação interessada constitui uma prática esperada.

Além do momento de perguntar, o pesquisador deve saber identificar a hora de calar. Uma questão colocada em um instante inoportuno pode colocar a perder todo o conjunto de contribuições que um entrevistado poderia fornecer. Quando a coleta de dados é feita com entrevistas associadas à observação, por exemplo, há ainda a possibilidade de que as respostas surjam naturalmente das atividades cotidianas, dispensando a manifestação explícita da questão.
No que tange à observação, o pesquisador deve ser particularmente cuidadoso nos seus modos de interação com o grupo, buscando uma interação que não influencie o comportamento da comunidade.

A permanência prolongada no campo possibilita o acompanhamento das mudanças que corriqueiramente incidem sobre os fenômenos sociais. Contudo, se no princípio o pesquisador enfrenta dificuldade para se tornar um observador participante, ao final do processo ele pode se tornar um participante não observador.
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Referência:

WHYTE, William Foote. Sobre a evolução de Sociedade de Esquina. In: ______. Sociedade de esquina : a estrutura social de uma área urbana pobre e degradada. Rio de Janeiro: Zahar, 2005. p. 283-263.
[Indicação da Profa. Cinara Rosenfield na disciplina "Metodologia da pesquisa II" do PPG em Sociologia da UFRGS

Sugestão:


Leiam o apêndice, o texto é ótimo e o relato precioso para quem precisa realizar qualquer tipo de pesquisa!

Quinta-feira, Setembro 11, 2008

Aventuras qualitativas

Concomitantemente com a disciplina de estatística, resolvi fazer um curso de métodos qualitativos de pesquisa. No início, encarei as aulas como uma experiência adicional. Ledo engano! Tudo mudou... As idas a campo propostas pelo professor como atividade para realização do trabalho final transformaram minhas perspectivas de pesquisa. Fiquei fascinada pelas novas possibilidades de investigação ao conhecer um pouquiiiiiiiiinho os métodos qualitativos, os tipos de problemas passíveis de formulação, os desafios inerentes à entrevista (por exemplo) como técnica de coleta de dados e a complexidade a ser enfrentada no momento de análise dos resultados. Francamente, nunca pensei que isso pudesse acontecer. Na realidade, a principal lição que aprendi deste episódio é a de que devemos estar abertos a novas experiências, aproveitando principalmente a fase em que somos estudantes. Percebi que minhas convicções estavam relacionadas com falta de auto-conhecimento e ignorância arraigada. Não sei se conseguirei avançar em minhas aventuras nos meandros dos métodos qualitativos... Vontade não me falta! Como na postagem anterior, termino dizendo: continuo estudando. Vamos ver no que dá!


Apresentações sobre o tema